terça-feira, 11 de dezembro de 2012

SONETO

DESERTA A CASA ESTÁ... ENTREI CHORANDO,
DE QUARTO EM QUARTO, EM BUSCA
DE ILUSÕES!
POR TODA A PARTE AS PÁLIDAS VISÕES!
POR TODA A PARTE AS LÁGRIMAS FALANDO!

VEJO MEU PAI NA SALA, CAMINHANDO,
DA LUZ DA TARDE AOS TÉPIDOS CLARÕES,
DE MINHA MÃE ESCUTO AS ORAÇÕES
NA ALCOVA, AONDE AJOELHEI REZANDO.

BRINCAM MINHAS IRMÃS
( DOCE LEMBRANÇA!...),


NA SALA DE JANTAR... AI! MOCIDADE,
ÉS TÃO VELOZ, E O TEMPO NÃO
DESCANSA!

OH! SONHOS, SONHOS MEUS
DE CLARIDADE!
COMO É TARDIA A ÚLTIMA ESPERANÇA!...
MEU DEUS, COMO É TAMANHA
ESTA SAUDADE!...

(JOSÉ BONIFÁCIO, O MOÇO. POESIAS.
SÃO PAULO: CONSELHO ESTADUAL DE
CULTURA, 1962.P.247)

OS TRÊS DESEJOS

EM UMA NOITE MUITO FRIA, UM SENHOR E UMA SENHORA, CASADOS, SENTARAM-SE DIANTE DE SEU FOGÃO A LENHA. FICARAM EM SILÊNCIO, COMO SEMPRE. JÁ NÃO CONVERSAVAM MAIS. DEPOIS DE TANTO TEMPO VIVENDO LADO A LADO, NÃO TINHAM MAIS O QUE FALAR. UM SABIA TUDO DA VIDA DO OUTRO E NUNCA SAÍAM DE CASA. DURANTE O DIA, CUIDAVAM DE SUA ROCINHA DE FEIJÃO, DE UMA VACA MAGRA E DE ALGUMAS POUCAS GALINHAS.
NO MÁXIMO, ELE DIZIA:
- A CARIJÓ BOTOU OVOS.
- É...É...É... - RESPONDIA A ESPOSA.
OU O SENHOR FALAVA:
- A VACA DEU MENOS LEITE.
- É...É...É... - REPETIA ELA.
CADA UM ESTICAVA AS MÃOS CALEJADAS PARA SE AQUECER NO FOGO.
COCHILAVAM. NÃO SE MEXIAM MUITO DEVIDO AO FRIO. AS TÁBUAS DAS PAREDES DA CABANA TINHAM MUITAS FRESTAS POR ONDE O VENTO ENTRAVA.
SÓ CONSEGUIAM SE AQUECER SENTADOS DIANTE DO FOGÃO.
O TEMPO PASSOU. AS ACHAS DE LENHA TRANSFORMARAM-SE EM BRASAS.
NÃO HAVIAM JANTADO. O SENHOR OLHOU, DESCONSOLADO, O ARMÁRIO VAZIO DA COZINHA. NÃO RESTAVA UM OVO, NEM UM POUCO DE FEIJÃO OU UMA JARRA DE LEITE. A SENHORA OBSERVOU SUA EXPRESSÃO.
TAMBÉM ESTAVA COM FOME. O ESTÔMAGO VAZIO LHE DEIXOU COM VONTADE DE FALAR.
- AH, COMO EU QUERIA TER UM BOM PEDAÇO DE LINGUIÇA DE PORCO ASSANDO NESSE FOGO!
JUSTAMENTE NESSE INSTANTE, UM ANJO VOAVA SOBRE A CABANA.
OUVIU O LAMENTO DA SENHORA E DISSE SIMPLESMENTE:
- AMÉM.
QUANDO UM ANJO DIZ "AMÉM", O DESEJO SE REALIZA.
UM PEDAÇO ENORME DE LINGUIÇA DE PORCO CAIU SOBRE AS BRASAS. ERA SUCULENTA, BEM GORDA. ASSANDO NO FOGO, ESPALHOU UM CHEIRO DELICIOSO PELO AR. AMBOS SALIVARAM. ESPERAVAM A LINGUIÇA FICAR PRONTA PARA COMER, COMO HAVIA MUITO NÃO FAZIAM.
- MEU PEDIDO FOI SATISFEITO! - EXCLAMOU A SENHORA, MUITO FELIZ.
COM OS OLHOS BRILHANDO DE AMBIÇÃO, O MARIDO RESPONDEU:
- ORA, POR QUE NÃO APROVEITOU PARA PEDIR DINHEIRO?! PODIA TER SIDO MAIS INTELIGENTE!
E CONTINUOU RESMUNGANDO, BRAVO:
- VOCÊ QUIS SÓ UM PEDAÇO DE LINGUIÇA! BEM SE VÊ QUE NÃO TEM AMBIÇÃO. NASCEU PARA SER POBRE. DEVIA TER PEDIDO DINHEIRO, OURO EM QUANTIDADE, MUITAS RIQUEZAS!
SURPRESA, ELA RESPONDEU:
- COMO PODIA ADIVINHAR QUE O DESEJO SERIA SATISFEITO?
O SENHOR GRITOU:
-VOCÊ VAI TER O QUE MERECE! DESEJO QUE A LINGUIÇA PULE DESSAS BRASAS E FIQUE PENDURADA NO SEU NARIZ!
A SURPRESA FOI MAIOR AINDA. A LINGUIÇA RETORCEU-SE SOBRE AS BRASAS, SALTOU E GRUDOU NO NARIZ DA SENHORA!
- AIIIII! - GRITOU ELA.
ELA TENTOU PUXAR A LINGUIÇA. NÃO SAIU. O MARIDO QUIS AJUDÁ-LA, MAS A LINGUIÇA ESTAVA GRUDADA PARA SEMPRE. A SENHORA GRITAVA SEM PARAR:
- AI, TIRE ESSA LINGUIÇA DO MEU NARIZ! TIRE!
DESESPERADA, COMEÇOU A GRITAR:
- EU DESEJO QUE ESSA LINGUIÇA...
- NÃO! - ROSNOU O MARIDO.
TAPOU A BOCA DA MULHER COM A MÃO.
- DESEJOS SÓ ACONTECEM DE TRÊS EM TRÊS. SE VOCÊ FIZER UM NOVO PEDIDO, NÃO TEREMOS DIREITO DE SATISFAZER MAIS NENHUM DESEJO.
- O QUÊ?! - SURPREENDEU-SE A ESPOSA.
- É O QUE SEI - DISSE ELE. - QUANDO UM ANJO NOS CONCEDE DESEJOS, NÃO PODEM SER MAIS DE TRÊS. VAMOS PEDIR RIQUEZAS!
O MARIDO SORRIU, ABRAÇANDO A ESPOSA, MAS SEM DEIXAR DE TAPAR A SUA BOCA.
- AH, QUERIDA... QUE MAL TER UMA LINGUIÇA PENDURADA NO NARIZ?
- VOCÊ DIZ ISSO PORQUE NÃO É O SEU NARIZ, MAS O MEU... - GEMEU A MULHER.
- VAMOS PEDIR UM SÍTIO BEM GRANDE, COM UMA CASA ENORME?
- NÃO.
O VELHO CONTINUOU TENTANDO CONVENCÊ-LA:
- UM BAÚ DE MOEDAS DE OURO?
- NÃO... - GEMIA A SENHORA, FALANDO POR ENTRE OS DEDOS DO HOMEM.
- QUEM SABE UMA CASA NA CIDADE, COM UM COMÉRCIO EM FRENTE?
ASSIM QUE O MARIDO SE DISTRAIU E AFROUXOU A MÃO, ELA APROVEITOU PARA GRITAR:
- DESEJO QUE ESSA LINGUIÇA SAIA DO MEU NARIZ!
A LINGUIÇA CAIU NOVAMENTE SOBRE AS BRASAS. O ANJO PARTIU, COM A CONVICÇÃO DE QUE OS SERES HUMANOS SÃO MUITO CONFUSOS EM SEUS DESEJOS.
A SENHORA CONTINUOU COM O NARIZ NORMAL.
OS DOIS PROSSEGUIRAM, NOITE APÓS NOITE, SENTADOS OLHANDO O FOGO, SEM ASSUNTO PARA CONVERSAR E PENSANDO EM TUDO O QUE PODERIAM TER PEDIDO, INCONFORMADOS POR TEREM PERDIDO A MELHOR CHANCE DE SUA VIDA!



LENDAS E FÁBULAS DO FOLCLORE BRASILEIRO
RECONTADOS POR: WALCYR CARRASCO

sábado, 1 de dezembro de 2012

PARA TODOS MEUS AMIGOS!!!


BEM VINDOS AMIGOS AO MÊS DE DEZEMBRO, FINAL DE ANO, MÊS QUE UM BOM BALANÇO NÃO FAZ MAL A NINGUÉM. OLHAR UM POUCO PARA O ANO QUE  ESTA PRESTES A ENCERRAR É ENTENDER UM POUCO MAIS DO QUE SOMOS E QUE FOMOS  DA ATÉ MEDO DE FAZER ISSO, MAS OLHAR FAZ BEM, É NECESSÁRIO PARA ENTENDER DA VIDA UM POUCO. MAS VAMOS COMBINAR NADA DE SAUDOSISMO, VAMOS MESMO É FICAR ESPERTO PARA NÃO COMETER OS MESMOS ERROS E IR A BUSCA DE NOVAS EXPECTATIVAS.

domingo, 26 de agosto de 2012

Épocas de ouro

Oh, poetas inspiradores!
Oh, rimas apaixonantes!
Quisera hoje ainda,
Pudesses se vibrante!

O amor está acabando,
Grito louco com todo o ser,
Chega só amando pode entender!

Entender porque poetas
Outrora badalaram
Épocas de ouro.

Ser feliz ou não ser,
É a grande questão!
O amor acima de tudo,
Quando lhes chega ao coração!



Olívia Paz



terça-feira, 24 de julho de 2012

MIGRAÇÃO

MIGRAREI PARA O TEMPO
DOS PÁSSAROS
DESTES QUE FREQUENTAM
MARES E SILÊNCIOS
E INDEFINEM LONGOS VÔOS
PELA MANSIDÃO
DO ESPAÇO


MIGRAREI PARA O TEMPLO
DOS ALADOS
ONDE SE FINDAM
EXTREMOS E INTANGÍVEIS
E ONDE O ESPAÇO
DEFINE-SE
PELO INIMAGINÁRIO






ANGELO MENDES
ROSA PARALELA

sábado, 21 de julho de 2012

"OH, É O TREM
NÃO PRECISA PASSAGEM
NEM MESMO BAGAGEM NO TREM,
QUEM VAI CHORAR
QUEM VAI SORRIR,
QUEM VAI FICAR
QUEM VAI PARTIR!"



RAUL SEIXAS

LIBERDADE

O HOMEM É LIVRE
QUANDO TEM ALIMENTOS
QUANDO ESTUDA, TRABALHA
QUANDO NÃO ENCONTRA BOCAS FAMINTAS
NEM CRIANÇAS COM FRIO
O HOMEM É LIVRE
QUANDO PODE REPARTIR FELICIDADE
PARA SI E PARA SUA FAMÍLIA
O HOMEM É LIVRE
QUANDO NÃO SE ESCRAVIZA EM NOME DA LIBERTAÇÃO
O HOMEM É LIVRE
QUANDO NÃO SE DEGRADA
QUANDO NÃO SE OMITE
QUANDO NÃO É SUBSERVIENTE
QUANDO TEM OS PÉS NO CHÃO
O HOMEM É LIVRE
QUANDO NÃO PRECISA MENTIR
NEM ROUBAR, NEM SE PERDER
PARA IMPOR SUA OPINIÃO
O HOMEM É LIVRE
QUANDO PERANTE A LIBERDADE
NÃO SE TORNA OPRESSOR
O HOMEM É LIVRE
SIMPLESMENTE, QUANDO O HOMEM
SABE ESPALHAR AMOR!






RAMIRES RIBEIRO
PAINÉIS - JAGUARÃO-1986

domingo, 8 de julho de 2012

REALISMO...

NÃO CREIO, NEM DESCREIO. SIMPLESMENTE
ENCARO SEM RANCOR AS TEORIAS,
PARTIDOS, RELIGIÕES, QUE TANTA GENTE
ATACA COM A MAIOR DAS ENERGIAS...

NÃO NEGO; E SÓ AFIRMO RARAMENTE!
POIS, MUITAS VÊZES, AO CORRER DOS DIAS,
O QUE SE DIZ AGORA FIRMEMENTE,
AMANHÃ SÃO ENGANOS... UTOPIAS...

NÃO FAÇO O MAL E QUASE POUCO O BEM!
- E JÁ SERIA BEM MELHOR O MUNDO,
SE NÃO HOUVESSE O MAL QUE O MUNDO TEM!

NÃO SOU ALEGRE... MAS NÃO SOU TRISTONHO!
E, SENDO UM REALISTA TÃO PROFUNDO,
AMO E SOLUÇO E FAÇO VERSO E SONHO!



LUIZ OTÁVIO
MEU SONHO ENCANTADOR
POESIAS

quinta-feira, 17 de maio de 2012

ÁS MÃIS NO TUMULTO DE VOSSOS DEVERES E DE VOSSAS PENAS,CANÇADAS DAS TEMPESTADES DO MUNDO, QUANTAS VEZES, Á MÃIS! NÃO ENCONTRASTES, ARRANJANDO A GAVETA D'ALGUMA COMMODA, UM D'ESSES BRINQUEDOS QUE OUTR'ORA TANTA ALEGRIA VOS CAUSARAM? COMO NOS EXTASIÁMOS DIANTE D'UMA BONECA DE PORCELANA, QUE SATISFAÇÃO NÃO SENTIMOS NO DIA DO SEU BAPTISADO, COM QUE ORGULHO A MOSTRAVAMOS A TODOS! EU CONSERVO AINDA FECHADAS N'UMA GAVETA, ESSAS CARAS VISÕES DOS PRIMEIROS DIAS DE MINHA VIDA. ALGUMAS VEZES, QUANDO PEÇO UMA CARICIA Á SORTE, VOU REVER ESSES BELLOS E INGENUOS SONHOS, CUJAS CÔRES BRILHANTES RESISTIRAM AO TEMPO. AINDA ADORO ESSAS BONECAS SEM RUGAS QUE TANTO ENCANTARAM OS NOSSOS CORAÇÕES, QUE CHAMAVAMOS NOSSAS FILHAS, E QUE NÃO CONSERVAM O MENOR TRAÇO DE IRRITAÇÃO QUE LHES CAUSAMOS. E NÃO É SENÃO ISSO QUE LHES PEÇO PARA ACARICIAR MINHA ALMA. COM EFFEITO, SUA IMPASSIVEL INDULGENCIA, SEU BENEVOLENTE SILENCIO ME RECORDAM NOSSO OUTR'ORA COMO UMA CONVERSAÇÃO INTIMA E EM VOZ BAIXA.SÃO ESTAS CHRONICAS QUE MUITAS VEZES REPETEM VERDADES UTEIS; QUE SUSPENDEM, UMA HORA AO MENOS, O PRESENTE TÃO PENOSO; QUE NOS LEMBRAM VIVAS ALEGRIAS, E MESMO FALTAS CUJA LEMBRANÇA NÃO SÃO SEM FRUCTO PARA A RAZÃO. ESSAS INNOCENTES COMPANHEIRAS DE NOSSA INFANCIA ME AJUDARAM MUITAS VEZES A MELHOR COMPREHENDER MEUS FILHOS, E PARA MIM FICARAM SEMPRE CHEIAS DE CONSELHOS,Ó MÃIS! E SÃO ESSES CONSELHOS QUE IDES LER. DESBORDES-VALMORE CONTOS E SCENAS DA VIDA DE FAMILIA

domingo, 6 de maio de 2012

A VIDA

A ALVORADA FOI RISONHA; ERGUESTE-TE COM O DIA, EU FIZ, N'AQUELLA ALVORADA, UMA ALEGRE PROPHECIA. INDA RADIAVA FULGENTE VENUS, A SAUDOSA ESTRELLA, JÁ TU ORNAVAS AS TRANÇAS E CANTAVAS Á JANELLA. E DOS LARANJAES VISINHOS OS ROUXINOES ACORDADOS RESPONDIAM-TE COM TRINOS DA TUA VOZ NAMORADOS. DOS VIRENTES JASMINEIROS, QUE A PRIMAVERA ENFLORAVA, VINHA CHEIO DE PERFUMES O VENTO QUE TE BEIJAVA. QUEM DISSERA ENTÃO AO VÊR-TE N'ESSA RISONHA ALVORADA, QUE Á NOITE, ESTRELLA CADENTE. SERIAS INANIMADA? Escripto em um album a pedido de F.M. de souza Viterbo em 1870. JULIO DINIZ

sexta-feira, 20 de abril de 2012

PAISAGEM DE LUAR



NA NITIDEZ DO AR FRIO, DE FINAS VIBRAÇÕES DE CRYSTAL, AS ESTRELLAS CREPITAM...
HA UM RENDILHAMENTO, UMA LAVORAGEM DE PEDRARIAS CLARAS, EM FIOS SUBTIS DE SCINTILLÇÕES PALPITANTES, NA ALVA ESTRADA ESMALTADA DA VIA-LACTEA.
UMA SERENIDADE DE MAIO ADORMECIDO ENTRE FROUXEIS DE VERDURA CAE DO VELLUDO DO FIRMAMENTO, TORNA A NOITE MAIS SOLITARIA E PROFUNDA.
O MAR, PONTILHADO DOS ASTROS, FAISCA, PHOSPHORESCE E RUTILA, AGITANDO O DORSO GLAUCO.
E, DE LEVE, DE MANSO, UM CLARÃO BRANCO, LANGUIDO, LIVIDO, VEM SUBINDO DOS MONTES, ESCORRENDO FLUIDO NAS FOLHAGENS, QUE PRATEIAM-SE LOGO, COMO SI FABULOSO ARTISTA INVISIVEL AS PRATEASSE E AS POLISSE.
A LUA CHEIA TRANSBORDA EM RIO DE NEVE NA PAISAGEM, E, NO MAR, HA POUCO APENAS FAGULHANTE DE IRIAÇÃO DAS ESTRELLAS, A LUA JORRA DO ALTO.
POR ELLE A FÓRA, PELO VASTO MAR ESPALHADO, PEQUENAS EMBARCAÇÕES SE DESTACAM AGORA, ALIGERAS, LÉPIDAS, Á PESCA DA NOITE, VELAS BRANCAS SERENAS, SOB A CONSTELLAÇÃO DOS ESPAÇOS.
A AGUA REPERCUTE, NA AMOROSA SOLIDÃO DO LUAR, A BARCAROLA SONÓRA DOS PESCADORES, QUE, DE ENTRE A GLACIAL AMPLIDÃO DA AGUA, MAIS FRESCA E SONÓRA, VIBRA.
UM ASPECTO DE NATUREZA VERDE, VIRGEM, QUE REPOUSA, ESTENDE-SE NOS LONGES, DESCE AOS PRADOS, SÓBE ÁS MONTANHAS E INFINITAMENTE ESPALHA-SE NAS MUDAS PRAIAS ALVEJANTES.
E, Á PROPORÇÃO QUE A LUA MAIS VAE SUBINDO O PÁRAMO, Á PROPORÇÃO QUE ELLA MAIS GALGA A ALTURA, MAIS AS PEQUENAS EMBARCAÇÕES DE PESCA AVANÇAM NAS VAGAS RESPLANDESCENTES, COM AS AZAS DAS VELAS ABERTAS Á SALITROSA EMANAÇÃO MARINHA.
COM O BRILHO FÚLGIDO, ACCÊSO, D'ESMERALDA FACETADA, UMA ESTRELLA PARECE PEREGRINAMENTE ACOMPANHAR DE PERTO A LUA, N'UM RHYTHMO HARMONIOSO...
PERFUMES SALUTARES, TONIFICANTES EFFLUVIOS EXHALAM-SE DA FRESCURA NOVA, IMMACULADA DOS CAMPOS, COMO D'UM VIÇOSO E CASTO FLORIR DE MAGNOLIAS, NA VOLUPIA DA NATUREZA ADORMECIDA N'UMA ALVURA DE LINHOS, D'ENTRE OPULENCIAS DE NOIVADOS.






OBRAS COMPLETAS DE CRUZ E SOUZA
COM INTRODUÇÇÃO E ANNOTAÇÕES DE NESTOR VICTOR
II PROSA - MISSAL - EVOCAÇÕES

terça-feira, 13 de março de 2012

SEMEADURA

PENSAMENTOS,PALAVRAS, ATITUDES, CUIDAR,
SIMULTANEAMENTE.
QUATRO PALAVRAS TÃO PEQUENINAS
DENTRO DO VELHO EU.
O VELHO EU, CABOCLO DO MATO,
ARA A TERRA SOFRIDA E PISADA. SEM PRESSA...
ESPERA A CHUVA COM REZAS,
DEPOIS LANÇA A SEMENTE NA TERRA,
POIS DENTRO DELE,JÁ VINGOU.
PENSAMENTOS, PALAVRAS, ATITUDES, CUIDAR.
PALAVRAS QUE A VIDA LEVA,
MAS CAEM NA TERRA DE PEDRA DOS HOMENS DA CIDADE
ALEATORIAMENTE.
TERRAS ESSAS TÃO VASTAS, ARADAS,
OUTRAS CURTAS
E SEM CUIDADOS.
MAS, DENTRO DO VELHO EU,
DO VELHO EU, CABLOCO DO MATO,
LÁ NO SEU FÉRTIL CORAÇÃO DE ANOS,
ESSAS PALAVRAS, SIMPLES PALAVRAS,
TORNAM-SE SEMENTES,
GERMINAM,
NASCEM PARA A VIDA.
E, NA PRIMAVERA, DEPOIS DA CHUVA,
OUVE O SILÊNCIO GRITANTE DA FLOR QUE DESABROCHOU.
O VELHO EU ABRE A JANELA,
A JANELA DA VIDA,
E EXPULSA AS PALAVRAS SEMENTES,
LIVRES, SOLTAS AO SABOR DO VENTO.
GERMINAM EM OUTRAS TERRAS,
OUTRAS CIDADES,
OUTROS VELHOS EUS.




FABIANA Camargo da Silva
ibitinga, SP

segunda-feira, 12 de março de 2012

PÉTALAS DE PAZ



PEGUE UM SORRISO E DOE-O A QUEM
JAMAIS O TEVE.

PEGUE UM RAIO
DE SOL E FAÇA-O
VOAR LÁ DE ONDE
REINA A NOITE.

DESCUBRA A FONTE E FAÇA
BANHAR-SE QUEM VIVE NO LODO.

PEGUE UMA LÁGRIMA E PONHA-A NO ROSTO DE QUEM JAMAIS CHOROU.

PEGUE A CORAGEM E PONHA-A NO ÂNIMO DE QUEM NÃO SABE LUTAR.

DESCUBRA A VIDA E NARRE-A A QUEM NÃO SABE ENTENDÊ-LA.

PEGUE A ESPERANÇA
E VIVA NA
SUA LUZ.
PEGUE A
BONDADE
E DOE-A A
QUEM NÃO
SABE DOAR.
DESCUBRA
O AMOR E
FAÇA-O CONHECER
O MUNDO.






MAHATMA GANDHI

terça-feira, 6 de março de 2012

 
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MULHER

SER QUE BUSCA SOL,SEM ANTES AMANHECER
PESSOA ARREDIA,
COMPULSIVA
ATREVIDA
AMOROSA OU DESTEMIDA;
DE PASSO LARGO
SORRISO AO ROSTO
POR VEZES, PURO PRANTO
POR VEZES, SOMENTE CONSOLO
FITA A VIDA DE METRO EM METRO
TECE COM MÍNIMOS DETALHES
E A CADA FALHA UM NOVO MOTIVO
PARA REFAZER SEUS DIAS,
DE SALTO AOS PÉS NO CHÃO
CAMINHA COM PURA PRECISÃO
E COMPARTILHA DURANTE SUA VIDA
UMA LIÇÃO:
A LEITURA DOS OLHOS
A INTERPRETAÇÃO DA ALMA
E A CONTIDA MISSÃO EM PROL DO CORAÇÃO!




SILVIA HELENA CALCAGNO

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

TENHA UM BOM DIA!

FAZER POESIA

Fazer poesia não é só rimar

A fria noite com o lindo dia.

Tampouco na métrica versejar,

Conhecer história ou geometria,

Nem descrever o puro sentimento,

Dramatizar em prantos a triste partida,

Declamar palavras volúveis ao vento,

Ou enaltecer o amor, idolatrar a vida.

Fazer Poesia

É singrar no mar das fúteis ilusões.

É com os anjos voejar em esplendor.

É rodopiar pelos suntuosos salões.

É cantar ao léu, nos campos em flor.

É conseguir orar, na medida certa.

É levitar erguendo o peso do mundo.

É curar, como milagre, a ferida aberta.

É tornar o árido solo, em rico, fecundo.

Fazer poesia

É saber, em silêncio, a dor acalmar.

É sorrir da mais torturante agonia.

É entreter o martírio e a fé vivificar.

É disfarçar o tormento com sabedoria.

É sonhar acordado, morrer de paixão,

É espalhar a paz, transmitir alegria.

É auscultar um apaixonado coração,

É extrair d’alma, a mais pura filosofia.




JOSEMAR BOSI