sexta-feira, 13 de outubro de 2017

A ARTE DE EDUCAR


“Educar é mostrar a vida a quem ainda não a viu. O educador diz: “Veja!” e, ao falar, aponta. O aluno olha na direção apontada e vê o que nunca viu. Seu mundo se expande. Ele fica mais rico interiormente… E ficando mais rico interiormente ele pode sentir mais alegria – que é a razão pela qual vivemos.
Já li muitos livros sobre Psicologia da Educação, Sociologia da Educação, Filosofia da Educação… Mas, por mais que me esforce, não consigo me lembrar de qualquer referência à Educação do Olhar. Ou à importância do olhar na educação, em qualquer um deles.
A primeira tarefa da Educação é ensinar a ver… É através dos olhos que as crianças tomam contato com a beleza e o fascínio do mundo… Os olhos tem de ser educados para que nossa alegria aumente.
A educação se divide em duas partes: Educação das Habilidades e Educação das Sensibilidades.
Sem a Educação das Sensibilidades, todas as habilidades são tolas e sem sentido. Os conhecimentos nos dão meios para viver. A sabedoria nos dá razões para viver.
Quero ensinar às crianças. Elas ainda tem olhos encantados. Seus olhos são dotados daquela qualidade que, para os gregos, era o início do pensamento: a capacidade de se assombrar diante do banal.
Para as crianças tudo é espantoso: um ovo, uma minhoca, uma concha de caramujo, o voo dos urubus, os pulos dos gafanhotos, uma pipa no céu, um pião na terra. Coisas que os eruditos não veem.
Na escola eu aprendi complicadas classificações botânicas, taxonomias, nomes latinos – mas esqueci. E nenhum professor jamais chamou a minha atenção para a beleza de uma árvore… Ou para o curioso das simetrias das folhas. Parece que naquele tempo as escolas estavam mais preocupadas em fazer com que os alunos decorassem palavras que com a realidade para a qual elas apontam.
As palavras só tem sentido se nos ajudam a ver o mundo melhor. Aprendemos palavras para melhorar os olhos. Há muitas pessoas de visão perfeita que nada veem… O ato de ver não é coisa natural. Precisa ser aprendido. Quando a gente abre os olhos, abrem-se as janelas do corpo e o mundo aparece refletido dentro da gente. São as crianças que, sem falar, nos ensinam as razões para viver. Elas não tem saberes a transmitir. No entanto, elas sabem o essencial da vida. Quem não muda sua maneira adulta de ver e sentir e não se torna como criança, jamais será sábio.”
Rubem Alves

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Os poemas


Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam voo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto
alimentam-se um instante em cada par de mãos
e partem.
E olhas, então essas tuas mãos vazias,
no maravilhoso espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti...
QUINTANA, Mário. Esconderijos do tempo. Porto Alegre, L&PM, 1980.

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Divino Maravilhoso

Atenção ao dobrar uma esquina
Uma alegria, atenção menina
Você vem, quantos anos você tem?
Atenção, precisa ter olhos firmes
Pra este sol, para esta escuridão
Atenção
Tudo é perigoso
Tudo é divino maravilhoso
Atenção para o refrão
É preciso estar atento e forte
Não temos tempo de temer a morte
Atenção para a estrofe e pro refrão
Pro palavrão, para a palavra de ordem
Atenção para o samba exaltação
Atenção
Tudo é perigoso
Tudo é divino maravilhoso
Atenção para o refrão
É preciso estar atento e forte
Não temos tempo de temer a morte
Atenção para as janelas no alto
Atenção ao pisar o asfalto, o mangue
Atenção para o sangue sobre o chão
Atenção
Tudo é perigoso
Tudo é divino maravilhoso
Atenção para o refrão
É preciso estar atento e forte
Não temos tempo de temer a morte

Compositores: Gilberto Gil / Emanuel Viana Teles Veloso Caetano

domingo, 8 de outubro de 2017

O Vento - Procelaria - A Dona do raio e do vento Maria Bethânia



Vamos chamar o vento

Vamos chamar o vento
Vamos chamar o vento




"É vista quando há vento e grande vaga
Ela faz um ninho no enrolar da fúria e voa firme e certa como bala
As suas asas empresta à tempestade 
Quando os leões do mar rugem nas grutas
Sobre os abismos, passa e vai em frente
Ela não busca a rocha, o cabo, o cais
Mas faz da insegurança a sua força e do risco de morrer, seu alimento
Por isso me parece imagem e justa 
Para quem vive e canta num mau tempo"



O raio de Iansã sou eu
Cegando o aço das armas de quem guerreia 
E o vento de Iansã também sou eu 
E Santa Bárbara é santa que me clareia (2x)



A minha voz é vento de maio
Cruzando os mares dos ares do chão
Meu olhar tem a força do raio que vem de dentro do meu coração



O raio de Iansã sou eu
Cegando o aço das armas de quem guerreia
E o vento de Iansã também sou eu
E Santa Bárbara é santa que me clareia



Eu não conheço rajada de vento mais poderosa que a minha paixão
Quando o amor relampeia aqui dentro, vira um corisco esse meu coração
Eu sou a casa do raio e do vento
Por onde eu passo é zunido, é clarão
Porque Iansã desde o meu nascimento, tornou-se a dona do meu coração



O raio de Iansã sou eu...


Sem ela não se anda
Ela é a menina dos olhos de Oxum 
Flecha que mira o Sol 
Olhar de mim.

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Aprendi a escrever lendo, da mesma forma que se aprende a falar ouvindo. Naturalmente, quase sem querer, numa espécie de método subliminar. Em meus tempos de criança, era aquela encantação.

Mário Quintana

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Lendas do Ouro


O ouro inspirou muitas lendas, e a maioria delas envolve a busca por algum tesouro perdido. Uma das lendas mais antigas é o mito grego do rei Midas. Quando o deus Dionisio lhe concedeu um único pedido, o rei Midas pediu que tudo que ele tocasse se transformasse em ouro. O desejo lhe foi concedido e ele, no início, ficou muito feliz. No entanto, a lenda é uma advertência contra os prazeres efêmeros proporcionados pelas coisas materiais: o rei Midas descobriu que não conseguia mais comer porque os alimentos se transformavam em ouro, ao tocar a filha, ela também transformou-se em ouro.
Um antigo conto popular alemão, A Canção dos Nibelungos, fala de uma raça de anões que rouba o ouro das sereias do Reno. Um dos anões fabrica um anel de ouro que lhe confere o poder de dominar o mundo. A história serviu de inspiração a Richard Wagner para compor o ciclo de óperas O Anel dos Nibelungos.
No século XVI, aventureiros espanhóis se dirigiram à América em busca do “El Dorado” (o homem de ouro), um rico rei nativo. Eles acreditavam que o rei cobria a pele com ouro em pó todos os dias e banhava-se em um lago, que acredita-se ser o lago Guatavita, na Colômbia. A história pode ter surgido porque o ouro era encontrado em abundância na América do Sul e porque os nativos já o explorava há muito tempo.

Riquezas da Terra
Seleções READERS DIGEST

sábado, 9 de setembro de 2017

“ DEUS NÃO É O DEUS DOS MORTOS, MAS O DEUS DOS VIVOS” ( Mt 22,52 )

Os que morrem desaparecem aos olhos. Não desaparecem, contudo, aos olhos de Deus: Ele conhece suas moradas e conhece a sua sorte, Ele que os “ amou até o fim.” Nós porém, poderemos reunir-nos a eles, comunicar-nos com eles?
Ocuparam alguns lugar tão grande em nossa vida; foram a luz de nossos olhos a causa de nossa alegria, a alma de nossa alma; e tudo isso teria acabado para sempre?
Como poderia acabar, se o homem é mais espirito do que carne e se realmente compartilhamos do que h
avia neles de mais intimo e espiritual? Mas como encontrá-los e por que meio atingi-los, a não ser nos recolhendo em nós mesmos, e no ais profundo de nosso ser?
Se verdadeiramente eles adormecem no Cristo, como nos é permitido esperar foi certamente para escaparem a todos as necessidades materiais, a todas as vicissitudes da exterioridade: só há, pois um meio realmente eficaz de nos reunirmos a eles, é o de nos estabelecermos também no plano de interioridade aonde chegaram, esforçando-nos por viver de sua vida.
E já que esta vida está mergulhada na intimidade de Deus, que é ao mesmo tempo para eles morada, alimento e sono, como diz a oração da Missa, será então nos identificando também mais completamente a Deus, mergulhando mais profundamente em sua vida, que estaremos unidos a vida deles, e que as relações interrompidas no plano visível continuarão mais vivas, na comunhão silenciosa das almas.
Com efeito, é interiormente que se pode procurar, se não quisermos perder-nos num além constituído pelas sombras do mundo visível, imaginando com os nossos queridos mortos relações que procurariam mantê-los no plano exterior do qual, desde esta terra, o progresso de nossa vida espiritual pede a liberação sempre mais perfeita.
Se nossos mortos estão livres das vicissitudes do mundo sensível, se nasceram paras a vida do Espirito, se estão em Deus, não podemos imaginar entre eles e nos laços mais belos do que a comunhão cada vez mais estreita de uma vida interior da qual Deus é o centro, a fonte e o dom.
É por esse meio que o nosso amor pode, não somente salvaguardar sua realidade profunda, mas ainda atingir todo seu poder de ação, pois, de certo modo, podemos dar a Deus a eles se estão percorrendo ainda as etapas purificadoras que constituem o misterioso purgatório ou aumentar de algum modo sua alegria de possui-lo se já atingiram a bem-aventurança e isso pela intensidade de nosso amor a Deus.
Uma vida sempre digna de Deus não é o meio mais seguro de unir-nos sempre a eles?
Não há dúvida de que, por sua parte, nossos mortos nada deixaram daquilo que merecia viver eternamente em sua ternura por nós. Podemos portanto, admitir que seu desejo de união conosco é ainda maior do que o nosso próprio desejo, visto estarem eles em Deus, a própria origem do Amor.
E nós, também estamos estamos em Deus embora não com a mesma plenitude, a Deus está em nós. Ora, não é Deus o céu das almas fiéis? O céu pois, está em nós, na medida em que Deus aí está.
Não podemos por conseguinte, concluir que nossa alma é o santuário das almas santas, assim como é o templo de Deus? Não temos razão de pensar que as trazemos de algum modo em nós e que elas estão incomparavelmente mais perto de nossa alma do que, do coração de sua mãe, a criancinha de quem ela é misterioso tabernáculo?
Nenhum consolo maior do que essa união ativa e santificadora com os nossos queridos, numa intimidade que cresce sem cessar na proporção de nossa união com Deus. Deus não os arrebatou de nós; ocultou-os em seu coração para que estivessem mais perto do nosso.



( Maurice Zundel, Le poème, de la sainte liturgie. Paris, DDB, 1946, pag. 277 – 282 )