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domingo, 29 de janeiro de 2012

OTONO

Restablecido apenas de mis males
principescos, percibo la elegancia
de los jardines de oro y la fragancia
de los fríos senderos otoñales.
Pienso que de cármenes lejanos
ha de venir, lo mismo que en un cuento,
una reina a curar mi desaliento
con las últimas rosas de sus manos.
Viene y va mi dolor como una esencia
de jazmines sigilo de la brisa.
Es tan sensible mi convalecencia
que el vuelo de las hojas me conmueve
y me hace sollozar una sonrisa.



Juan Guzmán cruchaga ( chileno).
Poesia Universal (Grandes Poemas )
Selección de Maria Romero

domingo, 15 de janeiro de 2012

O REI E O SAPATEIRO

Era uma vez... quando foi
Eu bem ao certo não sei!
Porém sei que era uma vez
Um sapateiro e um rei.

Olha, Helena, o sapateiro
Era um pobre remendão,
Casado e com quatro filhos,
Que vivia quasi sem pão.

No recanto de uma escada
Noite e dia trabalhava,
E por allivio de máguas,
Esta cantiga cantava:

"Ribeiros correm aos rios,
Os rios correm ao mar;
São tudo leis deste mundo
Que ninguém póde atalhar:
Quem nasce para ser pobre
Não lhe vale o trabalhar!"

O rei tinha montes d'ouro
E joias em profusão,
E tinha mais que ouro e joias,
Pois tinha um bom coração.

Em vendo um pobre, acudia-lhe
Sem que o soubesse ninguem,
Que assim quer Deus que se faça.
E assim o faz tua mãe.

Por muitas vezes saía
Sem criados de libré,
E sósinho e disfarçado
Corria a cidade a pé.

Na rua do sapateiro
Passa o rei e ouve cantar:
"Quem nasce para ser pobre
Não lhe vale o trabalhar."

Isto uma vez e mais de uma
com voz que o pranto cortava,
E o rei condoeu-se d'alma
Do velho que assim cantava.

Chegado ao palacio ordena
Que lhe arranje o seu copeiro
Um bolo, do melhorio,
E que o mande ao sapateiro.

No melhorio do bolo
E' que estava o delicado,
Pois era de peças d'ouro
Todo, todo recheado.

Os pequenos, quando o viram,
Helena, imagina então,
Os olhos que lhe deitaram
Elles que nem tinham pão!...

Mas o pae a um seu compadre,
Que ás vezes o soccorria,
Foi dar de presente o bolo,
Sem ver o que nelle havia!

No dia seguinte o rei
Torna de novo a passar,
E com grande espanto seu
Ouve ainda o velho cantar;

"Ribeiros correm aos rios,
Os rios correm ao mar;
São tudo leis deste mundo
Que ninguem póde atalhar:
Quem nasce para ser pobre
Não lhe vale o trabalhar!"

Mandou-o chamar ao palacio,
E agastado então o rei
Lhe diz: " Que é das peças d'ouro
Que no bolo te mandei?"

O pobre do sapateiro
Tremendo conta a verdade:
Abalou-se novamente
O rei na sua piedade.

"Toma esta sacca", lhe diz,
"Ao erario vai daqui
Enchê-la de peças de ouro,
Que as peças são para ti."

Oh! Helena, suppõe tu
Qual foi a sua alegria,
Vendo que um thesouro aos filhos
Naquella sacca traria!...

Encheu-a a mais não poder,
Pô-la ás costas e partiu;
Deu quatro passos...nem tantos,
E nisto morto caíu!...

Na mão direita lhe acharam
Um papel onde se lia
Esta sentença, que o povo
Ser sobrehumana dizia:

"Eu para pobre o criei,
Tu rico fazê-lo queres;
Agora alli o tens morto:
Dá-lhe a vida, si puderes."



Bulhão Pato.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

A TORRENTE

Da serra azul, onde a palmeira medra,
Onde paira a neblina, se deriva,
Entre abertos lisins de esconsa pedra,
Um fio de agua viva;

Exiguo e frouxo, palmo a palmo, avança
Pela escarpada; a folha, de passagem,
Leva, rodeia os troncos, não descansa,
Não pára na viagem.

Ora entre os lichens verdes-serpentêa,
Corre entre os fetos, geme na fragura,
Ora caminho aberto em livre areia
Acha, - avança, murmura,

Desce, depois mais volumoso, arreda
Quanto encontra e, augmentado em cada fragua,
Recúa e salta, erguendo em cada quéda
O seu pennacho d'agua;

Com a chuva engrossa, rue no chão de gruta,
Cascata agora, - a penedia bronca
Mina-a em redor, desloca-a, immensa e bruta,
Leva-a, espumeja e ronca;

A tudo investe, abala, desimplanta,
Destróe, derruba, na evulsão crescente,
E ruge das quebradas na garganta
A impetuosa torrente.

Negra socava tetrica, soturna,
Treme e retumba; as aguas passam; - tudo
Geme, - os ninhos, a flor, o antro, a furna,
A'quelle embate rudo.

No valle, emfim, torcendo a crystallina
Juba, se atira e em echos se propaga
A torrente caudal, e ora a campina
E a floresta alaga

Em rio audaz, que as fertiliza e banha,
Calma agora volvendo as ondas fundas;
Pois, como a idéia, as aguas da montanha
Querem ser livres para ser fecunda.

Alberto de Oliveira

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

A ROSA E A AÇUCENA

DISSE UMA ROSA CORADA:
"O QUE VALES, AÇUCENA,
SYMBOLIZANDO A CANDURA?
QUASI NADA."

A FLOR RESPONDE AGASTADA:
"O QUE VALES TU, Ó ROSA,
EXPRIMINDO A FORMOSURA?...
QUASI NADA."

DIZ A MORAL ASSISADA:
" O QUE VALE A FORMOSURA
SEM A PUREZA, A VIRTUDE?...
NADA, NADA."


ANASTACIO LUÍS DE BOMSUCESSO.


"SÃO DUAS FLORES UNIDAS,
SÃO DUAS ROSAS NASCIDAS,
TALVEZ, NO MESMO ARREBOL,
VIVENDO DO MESMO GALHO,
DA MESMA GOTA DE ORVALHO,
DO MESMO RAIO DE SOL."


CASTRO ALVES

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

O BAILE!


SE JUNTO DE MIM TE VEJO
ABRE-TE A BOCA UM BOCEJO,
SÓ PELO BAILE SUSPIRAS!
DEIXAS AMOR-PELAS GALAS,
E VAES OUVIR PELAS SALAS
ESSAS DOURADAS MENTIRAS!

TENS RAZÃO! MAIS VALEM RISOS
FINGIDOS, D'ESSES NARCIZOS
-BONECOS QUE A MODA ENFEITA-
DO QUE A VOZ SINCERA E RUDE
DE QUEM, PRESANDO A VIRTUDE,
OS ATAVIOS REJEITA.

TENS RAZÃO!-WALSA, DONZELLA,
A MOCIDADE É TÃO BELLA,
E A VIDA DURA TÃO POUCO!
NO BORBORINHO DAS SALAS,
CERCADA DE AMOR E GALAS,
SÊ TU FELIZ-EU SOU LOUCO!

E QUANDO EU SEJA DORMIDO
SEM LUZ, SEM VOZ, SEM GEMIDO,
NO SOMNO QUE A DÔR CONFORTA;
AO CONCERTAR TUAS TRANÇAS
NO MEIO DAS CONTRADANÇAS
DIZ TU SORRINDO:-"QU'IMPORTA?....

"ERA UM LOUCO, EM NOITES BELLAS
"VINHA FITAR AS ESTRELLAS
"NAS PRAIAS, CO'A FRONTE NUA!
"CHORAVA CANÇÕES SENTIDAS
"E FICAVA HORAS PERDIDAS
"SÓSINHO, MIRANDO A LUA!

"TREMIA QUANDO FALLAVA
"E-POBRE TONTO-CHAMAVA
"O BAILE-ALEGRIAS FALSAS!
"-EU GOSTO MAIS D'ESSAS FALLAS
"QUE ME MURMURAM NAS SALAS
"NO RITORNELLO DAS WALSAS.-"

TENS RAZÃO!-WALSA, DONZELLA,
A MOCIDADE É TÃO BELLA
E A VIDA DURA TÃO POUCO!
P'RA QUE FEZ DEUS AS MULHERES?
P'RA QUE HA NA VIDA PRAZERES?
TU TENS RAZÃO...EU SOU LOUCO!

SIM, WALSA, É DOCE A ALEGRIA,
MAS AI! QUE EU NÃO VEJA UM DIA
NO MEIO DE TANTAS GALAS-
DOS PRAZERES NA VERTIGEM,
A TUA CORÔA DE VIRGEM
ROLANDO NO PÓ DAS SALAS!...

CASIMIRO DE ABREU- AS PRIMAVERAS - COLLECÇÃO BENJAMIM COSTALLAT-1932