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Mostrando postagens de 2018
"O que me preocupa não é nem o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética... O que me preocupa é o silêncio dos bons." 

 Martin Luther King

INFORMAÇÃO OU FOFOCA?

Algumas pessoas têm a mania de sempre se disponibilizarem a dar ouvidos a relatos de histórias que, dependendo de quem faz, se transformam em estórias, muitas delas, convenientemente relatadas, outras tantas, maldosamente distorcidas. Todos sabemos disso, mas constantemente somos envolvidos, ouvindo e dando crédito a estes relatos.

Dar ouvidos a fofocas pode ser complicado! Podemos nos tornar cúmplices de intrigas maldosamente armadas para prejudicar alguém!

Quando você se dispõe a sempre ouvir pessoas que constantemente levam ao seu conhecimento tudo o que aconteceu quando você não estava presente, já lhe passou pela cabeça que ao contrário do que você pensa, talvez o interesse dela não seja que você saiba de tudo, mas pode ser para manipular o seu pensamento e conseguir que você deduza o que ela quer?

Quando alguém narra um acontecimento para você, provavelmente sempre relata os fatos da forma que entendeu, ou talvez da forma que ela gostaria que fosse, ou talvez ainda…

Quem lê cata grãos pelos textos alheios. Michel de Certeau

Marchinha de Carnaval - Aurora - compositor: Mário Lago / Roberto Roberti

Uma Galinha – Conto de Clarice Lispector

Era uma galinha de domingo. Ainda viva porque não passava de nove horas da manhã.
Parecia calma. Desde sábado encolhera-se num canto da cozinha. Não olhava para ninguém, ninguém olhava para ela. Mesmo quando a escolheram, apalpando sua intimidade com indiferença, não souberam dizer se era gorda ou magra. Nunca se adivinharia nela um anseio.
Foi pois uma surpresa quando a viram abrir as asas de curto vôo, inchar o peito e, em dois ou três lances, alcançar a murada do terraço. Um instante ainda vacilou — o tempo da cozinheira dar um grito — e em breve estava no terraço do vizinho, de onde, em outro vôo desajeitado, alcançou um telhado. Lá ficou em adorno deslocado, hesitando ora num, ora noutro pé. A família foi chamada com urgência e consternada viu o almoço junto de uma chaminé. O dono da casa, lembrando-se da dupla necessidade de fazer esporadicamente algum esporte e de almoçar, vestiu radiante um calção de banho e resolveu seguir o itinerário da galinha: em pulos caut…

O DIA EM QUE PERDI AS RÉDIAS - ALICE BENTO

Sempre que penso em nossa estrutura corpo-psíquica imagino um cavaleiro montado. O cavaleiro é a mente, o cavalo é o corpo e as rédeas a consciência. Domamos nossos cavalos, montamos num piquete fechado, aprendemos a usar as rédeas, estamos seguros na fazenda. A cavalgada começa quando pegamos a estrada da vida adulta.

Iniciamos ao passo, com cautela, sem saber o que esperar dessa aventura, de nós e do nosso cavalo. Trotamos, naquele ritmo constante e acomodado. Galopamos, em busca ou em fuga. Voltamos ao passo, para apreciar um percurso, descansar ou manter a calma. Aprendemos a saltar obstáculos e quando o cavalo refuga, o cavaleiro precisa encorajá-lo ainda mais. Nem sempre as rédeas estão firmes, em certos momentos nos deixamos levar. Viver é isso, uma longa cavalgada.
Na maior parte do tempo, o cavaleiro tem o controle do cavalo. Às vezes ele o perde, ou porque o cavalo se assusta, ou porque as rédeas afrouxam e, no pior cenário, porque estão completamente soltas. Um…