terça-feira, 25 de março de 2014

UM OUTRO OUTONO



Outono diante da imensidão do tempo cíclico que ao se despedir deixa sempre aberta a espera de  um retorno. Dos dias que gradualmente escurecem mais cedo pro despertar brumoso na manhã seguinte.  E nos meados da estação, eis que o quente se torna ameno e, como que de repente, frio! Meia-estação das latitudes acima ou abaixo dos Trópicos de Câncer e Capricórnio. E da minha infância das esquinas ventosas nos finais de tarde ao retornar para casa. Outono das primeiras semanas do ano letivo (também por isso persistente na lembrança) e do ano civil interrompendo os dias feriados do verão suspenso no fluxo do calendário que se supõe ativo. São as árvores que se despojam pouco a pouco de suas folhas enquanto nós nos certificamos se estamos de fato devidamente agasalhados pro tempo que faz lá fora. E qual tempo muda dentro da gente quando surge o outono? Outro outono, outros riscos, outras possibilidades… Metáfora em tom menor e tradicionalmente oposta ao apogeu anunciado da primavera aérea e multiflorida – como se no outono decerto não houvesse as multicores terrosas a nos fazer mirar pro chão sobre o qual equilibramos as plantas de nossos pés! Pés e folhas, chão e frente fria. Outonos passados como se eles se estendessem ao longo do ano todo. Pensando bem, talvez o outono seja a estação mais entranhada no modo como sinto a sazonalidade do tempo. Até porque o outono gaúcho acolhe todas as estações sem muita cerimônia. Não precisarei citar os veranicos de maio e as ventanias súbitas que bem poderiam ocorrer em meses outros além daquele que calhou de ser justamente o presente sob a marca múltipla do outono. Vejam bem: até poderia ser um outro mês, uma outra estação, um outro outono. A alteridade possível, no entanto, não me deixa desviar do fato irrecusável de que é sempre agora.  Um novo outono colocado defronte do espelho de todos aqueles outros outonos passados. Outro outono com gosto de novidade, criação, aventura e sorte. Sabedor já calejado das surpresas da morte e dos labirintos turvos do azar. Atento ao único tempo existente, o presente. Outono da folha seca de plátano  guardada no meu caderno escolar de folhas amarelecidas. Contudo, não são só os olhos de hoje lançados ao retrovisor. É também o convite da caminhada irrestrita com os pés descalços sobre o chão coberto de folhas. Pés, folhas. Chão e vida. Um outro outono chegou. Logo ali, mais outro se anuncia.


                                                                                   
ANTÔNIO AUGUSTO BUENO

terça-feira, 18 de março de 2014

Poema Anjos de uma asa só









Um lenda,um acalento. . . 

Não sei se é verdade. . . e não me importo com isso. 

Não precisa ser. . . . 
Foi há muito tempo atrás. . . depois do mundo ser criado e da vida completá-lo. 
Num dia, numa tarde de céu azul e calor ameno. Um encontro entre Deus e um 
de seus incontáveis anjos. Acredita? 
Deus estava sentado, calado. Sob a sombra de um pé de jabuticaba. Lentamente 
sem pecado, Deus erguia suas mãos então colhia uma ou outra fruta. Saboreava 
sua criação negra e adocicada.Fechava os olhos e pensava. Permitia-se um 
sorriso piedoso.Mantinha seu olhar complacente. Foi então que das nuvens um 
de seus muitos arcanjos desceu e veio em sua direção. 
Já ouviu a voz de um anjo? 
É como o canto de mil baleias. 
É como o pranto de todas as crianças do mundo. 
É como o sussurro da brisa. 
Ele tinha asas lindas. . . brancas, imaculadas. Ajoelhou-se aos pés de Deus e 
falou: 
? Senhor. . . visitei sua criação como pediu. Fui a todos os cantos. 

Estive no sul, no norte. No leste e oeste. 

Vi e fiz parte de todas as coisas. 

Observei cada uma de suas crianças humanas. 

E por ter visto, vim até o Senhor. . . para tentar entender. 

Por que? Por que cada uma das pessoas sobre a terra tem apenas uma asa? 

Nós anjos temos duas. . . 

podemos ir até o amor que o Senhor representa sempre que desejarmos. 

Podemos voar para a liberdade sempre que quisermos. 
Mas os humanos com sua única asa não podem voar. 

Não podem voar com apenas uma asa. . . " 
Deus na brandura dos gestos, respondeu pacientemente ao seu anjo. 
-Sim. . . eu sei disso. Sei que fiz os humanos com apenas uma asa. . . " 
Intrigado, com a consciência absoluta de seu Senhor 
o anjo queria entender e perguntou: 
Mas por que o Senhor deu aos homens apenas uma asa quando são necessárias 
duas asas para se poder voar. . . . para se poder ser livre?" 
Conhecedor que era de todas as respostas, Deus não teve pressa para falar. 
Comeu outra jabuticaba, obscura e suave. 
Então, respondeu: 
Eles podem voar sim meu anjo. Dei aos humanos apenas uma asa para que 
eles pudessem voar mais e melhor que Eu ou vocês, meus arcanjos. . . . 
Para voar, meu amigo, você precisa de suas duas asas. . . 

Embora livre, sempre estará sozinho. 

Talvez da mesma maneira que Eu. . . . 
Mas os humanos. . . . 
os humanos com sua única asa precisarão sempre dar as 
mãos para alguém a fim de terem suas duas asas 

Cada um deles tem na verdade um par de asas. . . . 
uma outra asa em algum lugar do mundo que completa o par. 
Assim eles aprenderão a se respeitarem pois ao quebrar a única asa de outra 
pessoa, podem estar acabando com as suas próprias chances de voar. 
Assim meu anjo, eles aprenderão a amar verdadeiramente outra pessoa. 
. . . aprenderão que somente se permitindo amar, eles poderão voar. 

Tocando a mão de outra pessoa em um abraço correto e afetuoso 
eles poderão encontrar a asa que lhes falta.. 
e poderão finalmente voar. 
Somente através do amor irão chegar até onde estou. . . 
assim como você meu anjo. 
E eles nunca. . . . nunca estarão sozinhos quando forem voar." 
Deus silenciou em seu sorriso. 
O anjo compreendeu o que não precisava ser dito. 

Espero que todos que passem por aqui já amem alguém 
para que possam voar bem alto! 



(autor desconhecido)



quarta-feira, 12 de março de 2014


"Alguns querem um texto (uma arte, uma pintura) sem sombra, cortada da "ideologia dominante"; mas é querer um texto sem fecundidade, sem produtividade, um texto estéril (vejam o mito da Mulher sem Sombra). O texto tem necessidade de sua sombra: essa sombra é um pouco de ideologia, um pouco de representação, um pouco de sujeito: fantasmas, bolsos, rastos, nuvens necessárias; a subversão deve produzir seu próprio claro-escuro." (Roland Barthes, em O Prazer do Texto.

Hoje é o dia do bibliotecário, que este dia seja para refletirmos o quanto esse profissional tem haver com a modernidade, evolução e conscientização, é um profissional assim, comprometido com questões sociais e integrado a todo e qualquer grupo, ele pode andar com seus livros, pode doar seu sorriso e abraçar fortemente depois de uma longa e bela história. que este campo germine e que faça a leitura ser correspondida como um grande amor,e que todos os lugares sejam próximos. Parabéns a todos os bibliotecários. Homenagem da Oficina Reconstruindo. SILVIA HELENA CALCAGNO


domingo, 9 de março de 2014

UM BRASIL BEM BRASILEIRO!


PINTANDO A SUA ALEGRIA (para a artista Marina Sampaio – minha mãe)




Sempre respirou arte, 
As letras, não aprendeu.
Desde cedo, no entanto, em meio a sua labuta,
Não faltou-lhe entusiasmo, nem espaço para sonhar.

A pobre menina descalça, subia morro, descia morro,
E de tanto olhar as flores, sentiu vontade de criar.
Com vários papéis crepon, uma tesoura afiada,
Vela derretida e linha de tecer,
Sua arte transportada bem de dentro do seu ser,
Resplandece em suas mãos,
E em poucos minutos, um arranjo de flores pode se ver.

O tempo passou depressa e veio a adolescência,
Casou-se ainda novinha. Gerou 3 meninos e 3 menininhas.
A arte sempre presente, a poesia latente,
ninava suas crianças,
Cantando, entoando e dançando, sucessos da sua mente.

Fez crochet,
costurou,
cantou,
mas não pôde ser famosa,

Seu pai não a permitira, seu marido, nem pensar.
Teve um tempo que tentara, poemas e versos formar
Mas não sabia das letras, não teve como anotar.

Os filhos foram crescendo, todos cheios de talentos,
Quase todos replicaram o dom da arte de bem,
Depois dos filhos criados, seu amor, Deus o levou,
Então se encontrou sozinha, necessitava compor.
Tomou nas mãos uns pincéis, muitas tintas, tantas telas,
E cada palavra que vinha, olhava pela janela.

Pincelava céu azul, contrastando o vento sul,
Pincelava casa amarela, na porta alguém aguardava por ela.
Pincelava Julieta, um Romeu a sua espera,
Pincelava muitos galhos, flores desabrochavam na tela.

Seguiu assim: pincelando, pincelando,pincelando
Até por fim descobrir, que um verso estava formando

E a menina, que não pôde, escrever sua poesia,
Compõe poemas e versos pintando a sua alegria.

(Mariza Sorriso - in Das Raízes do Coração- Editora Sapere)







MARTHA MEDEIROS

“Eu, por exemplo, gosto do cheiro dos livros. Gosto de interromper a leitura num trecho especialmente bonito e encostá-lo contra o peito, fechado, enquanto penso no que foi lido. Depois reabro e continuo a viagem. (…) Gosto do barulho das paginas sendo folheadas. Gosto das marcas de velhice que o livro vai ganhando: (…) a lombada descascando, o volume ficando meio ondulado com o manuseio. Tem gente que diz que uma casa sem cortinas é uma casa nua. Eu penso o mesmo de uma casa sem livros.”
Martha Medeiros

sábado, 8 de março de 2014

Mulher Gaúcha Antonio Augusto Fagundes gentileza de Paulo Roberto Vargas






Os velhos clarins de guerra
desempoeirando as gargantas
quero-querearam no pago.
E o patrão coronelado,
reuniu em torno parentes,
posteiros, peões e agregados.
Chegara um próprio do povo
trazendo urgente recado
que se ia pelear de novo
e o coronel, satisfeito,
dizia, fazendo graça:
"vamos ver, moçada guapa,
quem honra a estirpe farrapa
e atropela numa carga
por um trago de cachaça...Os velhos clarins de guerra
desempoeirando as gargantas


Um filho saiu tenente,
o mais velho - capitão,
um tio ficou de major.
(o pobre que passa o pior,
a oficial não chega, não:
o capataz foi sargento,
um sota ficou de cabo
e a peonada, e os posteiros,
ficaram soldados rasos
pra pelear de pé no chão...)

Carneou-se um munício farto
- vindo de estâncias vizinhas -
houve rações de farinha,
queijo, salame e bolacha,
se santinguando em cachaça
a sede dos borrachões.

E a não ser saudade e mágoa
nada ficou pra trás
a garganta dos peçuelos
misturava pesadelos
sanguessugando, voraz,
cartuchos e caramelos,
o talabarte e o pala,
bolacha e pente de bala,
fumo e chumbo - guerra e paz...
No humilde rancho de um posto,
um moço encilhou cavalo
beijou a prenda e se foi.
Na madrugada campeira
luzia a estrela boieira
sinuelando o arrebol
e as barras de um dia novo
glorificavam o horizonte
lavando a noite defronte
com tintas de sangue e sol.

E durante largo tempo
ficou a moça na porta
olhando a estrada, a chorar,
sem saber porque o marido
tem que partir e lutar,
não entendia de guerra!
Pobre só votam em quem mandam
e desconhece outra coisa
que não seja trabalhar.

Então a moça franzina
tomou uma decisão!
Esqueceu delicadezas,
ternuras de quase -noiva
e atou os cabelos negros
debaixo de um chapelão
e se atirou no trabalho,
cuidando da casa e campo,
do gado e da plantação.

Emagreceu e tostou-se
e enrijeceu como o aço!
Temperando-se na luta
madurou-se como a fruta
que é torcida no baraço.

Montou e recorreu campo,
botou vaca, tirou leite
e arrastou água da sanga.
Fez do tempo a sua canga
no lento girar do dia
e quando as vezes parava
comovida, acariciava
o ventre, que pouco a pouco
se arredondava e crescia.

Só a noite, quando cansada
fechava o rancho e dormia
seu homem lhe aparecia:
ora voltava da guerra,
ora peleava - e morria!...
Que triste o rancho vazio
nas longas noites de frio
ou nas tardes de garoa!
Que medo de ir a estância!
(e ao mesmo tempo, que ânsia
de saber notícia boa!)
Vizinha perdera o filho.
pra outra, fora o marido.
E um dos que tinham, morrido,
um moço, que era tropeiro,
quando feito prisioneiro
tinha sido degolado
sem nenhuma compaixão.
E até um filho do patrão
se ensartara numa lança
em meio a uma contradança
de berro, tiro e facão.

E o fulano? Que fulano?
Aquele, que era posteiro!
Moço guapo! No entrevero
é como um raio a cavalo.

Trezontonte levou um pealo
mas é sujeito de potra:
já está pronto pra outra,
sempre disposto e faceiro.

E a moça voltava ao rancho,
tão moça ainda, e tão só!
E quando fitava a estrada,
só via o vazio do nada,
o nada o silêncio e o pó.

Não sabe quem vem primeiro,
se vem o pai, ou o filho.
E os seus olhos, novo brilho
roubaram de dois luzeiros.

Cada noite, cada aurora,
vai encontrá-la a pensar:
quando o marido voltar,
de novo estará bonita
- novo vestido de chita
e novo brilho no olhar.
E quando o filho chegar,
quantas cargas de carinho
carretearão os seus dedos!
Quantos e quantos segredos
sussurrarão, bem baixinho!
E para ele, os passarinho
cantarão nos arvoredos...

Qual deles chega primeiro?

E se um deles não chegar...?

Mas a guerra segue além,
o filho ainda não vem
e ela a esperar e a esperar!...

Bendita mulher gaúcha
que sabe amar e querer!
Esposa e mãe, noiva e amante
que espera o guasca distante
e acaba por compreender
que a vida é um poço de mágoa
onde cada pingo d'água
só faz sofrer e sofrer.



UM FELIZ DIA INTERNACIONAL DA MULHER !

sexta-feira, 7 de março de 2014

sábado , 8 de março Dia Internacional da Mulher 2014


PROJETO DE LEITURA




Reconstruindo é um espaço que vem para incentivar a leitura e pesquisa, realiza atividade de troca de livros de literatura sem fins lucrativos, de minha iniciativa, essa palavra talvez nos transmita mudanças, transformações tudo isso necessário para percorrer o caminho do sucesso seja de alguma área ou momento da vida que vivemos. Escolar ou não reconstruir é preciso quando se ama ou se tem algum propósito. Sejamos perseverantes na conquista de algo o que importa é que aconteça no caminho do bem. Somos responsáveis por nós mesmos e pelo sentido que damos a nossa vida. Reconstruindo existe para contribuir no sucesso e na construção de um novo caminho. Seja Feliz e participe deste espaço e se possível contribua na doação de livros de literatura, o projeto precisa de sua atitude.




Silviahelena.calcagno@hotmail.com


MENINA OU MENINO-QUEM ESTÁ FALANDO, AUTOR MARCO MEDRONHA








OFICINA RECONSTRUINDO RECEBEU MARCO MEDRONHA, JORNALISTA, PROFESSOR E MESTRE EM LETRAS. O ENCONTRO TEVE FINALIDADE DE APRESENTAR E DOAR EXEMPLARES DO LIVRO: MENINA OU MENINO - QUEM ESTÁ FALANDO?
UMA OBRA ESCRITA POR MARCO QUE PROPÕE DISCUSSÕES SOBRE IDENTIDADES DE GÊNERO, "PRÉ - CONCEITOS" ENRAIZADOS NO ENSINO E NOS MEIOS SOCIAIS.
O AUTOR TEM A INTENSÃO QUE O LIVRO SEJA UMA FERRAMENTA IMPORTANTE PARA UMA LEITURA REFLEXIVA E CONSTRUTIVA, COLABORANDO COM OS EDUCADORES A LIDAREM COM QUESTÕES APRESENTADAS NESTA OBRA.
A OFICINA AGRADECE PELA CREDIBILIDADE E OPORTUNIDADE DE MAIS UMA INICIATIVA COLABORATIVA EM PROL DE NOSSOS EDUCADORES.

SILVIA HELENA CALCAGNO
IDEALIZADORA DO PROJETO OFICINA RECONSTRUINDO



ENCONTRO DA OFICINA RECONSTRUINDO COM A TURMA DE BIBLIOTECONOMIA DO PROF, DR.CLAUDIO RENATO - FURG 27/11/2013





Com o intuito de reunir a Oficina Reconstruindo com a turma de biblioteconomia, na tarde do dia 27 de novembro o projeto de leitura recebeu em sua sede o Professor Dr.Claudio Renato Moraes da Silva da FURG.
 Na ocasião, muitas questões, e idéias foram refletidas sempre com foco na leitura e possibilidades de desenvolvimento em projetos com práticas positivas e criativas nessa área.
Nesse momento também estiveram presentes Maria Gabriela Segóvia e Julhana  Seabra, que juntas somaram com suas experiências profissionais.
No encontro todos relataram experiências vividas em vários ambientes, e mostraram-se contentes por fazerem o que gostam, no final do dia momentos para deixar saudade onde a palavra chave foi compartilhar, e a palavra ao mestre Prof. Claudio Renato fica a certeza que foi apenas o ..."INICIO" de grandes e importantes momentos.