sábado, 24 de setembro de 2011

NO HAY SECRETOS PARA EL ÉXITO.
ESTO SE ALCANZA PREPARÁNDOSE,
TRABAJANDO ARDUAMENTE Y
APRENDIENDO DEL FRACASO.

COLIN POWELL

TÚNEL DO TEMPO


Aonde ir?

Talvez por aí

Seguir o rumo sem vento

Talvez entrar no túnel do tempo

Onde os meus olhos ainda não tinham tristezas

E meu rosto sujo de poeira

Era tocado pela sombra da mangueira

Bem perto da rua e de frente para as palmeiras

Talvez entrar no túnel do tempo

Lá onde minha escola ficava, depois da bomba

Perto do antigo mosteiro

E a melhor hora era a hora do recreio

Ou a aula vaga da professora que não veio

Talvez no tempo do pique bandeira

No tempo que olhar nos olhos

E pegar na mão

Da menina tímida que sorria

Era tudo que se podia

Talvez naquela noite de chuva

Lá no canto do pensamento

Onde ficava deitado ouvindo a música de amor

No pequeno rádio de pilha que ficava

Junto ao ouvido, em cima do travesseiro

Olhando a chuva na janela

Sonhando com um amor verdadeiro

Um amor que pudesse amar sem receio

Não apenas um sentimento passageiro

Talvez caminhar pela cidade

Sentindo os pingos da chuva

Que atravessaram o tempo

E lembrar-se do rosto sujo

Dos olhos cheios de vida e sem tristeza

Dos sorrisos que ficaram na sombra da mangueira

De frente para as palmeiras

Pela vida inteira


ARNOLDO PIMENTEL

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

FORMATURA DOS ALUNOS DO PROGRAMA BRASIL ALFABETIZADO




A PREFEITURA MUNICIPAL DE JAGUARÃO ATRAVÉS DA SECRETARIA DE EDUCAÇÃO REALIZOU NO DIA 16 DE SETEMBRO A FORMATURA DA 2º TURMA DO PROGRAMA ,27 ALUNOS RECEBERAM O CERTIFICADO DO CURSO DE ALFABETIZAÇÃO PROMOVIDO PELO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO (MEC) E DESENVOLVIDO PELA SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO.O PROGRAMA BRASIL ALFABETIZADO ESTA REALIZANDO NOVOS CADASTROS PARA OS ALUNOS INTERESSADOS ,SENDO QUE DEVEM PROCURAR A PROFESSORA ALFABETIZADORA DE SEU BAIRRO OU ENTRAR EM CONTATO COM A SECRETARIA DE EDUCAÇÃO DE NOSSA CIDADE.
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terça-feira, 20 de setembro de 2011

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PEÑAROL - COMPOSIÇÃO: MAURO FERREIRA / LUIZ CARLOS BORGES

Quem é de Lavras se lembra do meu galgo Peñarol

Baio, brasino, bragado, olhos gateados de sol

Quando meu galgo arrancava com o lombo que era um anzol

Bicho que fizesse rastro saía do campo vasto

Pro dente do Peñarol

Me regalou Gim Pinheiro de lá de Tacuarembó

Era um filhote franzino, magrinho que dava dó

Quem ia dizer que aquilo fosse empurrar mocotó

Ganhar dezoito carreiras e os galgos desta fronteira

Entupir os olhos de pó

Lebrinha de pêlo fino, sorrito do pêlo grosso

Depois de ele botar o olho não tinha muito retoço

Cruzava dos outros galgos que nem dos cachorros "grosso"

Quadrava o corpo pra o lado, cortava de atravessado

E grudava atrás do pescoço

Um dia o Cássio Bonotto, proseando e tomando um trago

Me contou de um sorro baio que havia lá por Santiago

Corria mais que os cachorros, vivia fazendo estrago

De tanto comer cordeiro já nem botavam carneiro

Nas ovelhas deste pago

Eu disse pra este amigo: mês que vem vou na tua casa

Me espera com uma de vinho e um chibo em cima da brasa

O Peñarol vai na piola porque ele não perde vaza

Te garanto que o tal sorro pra escapar do meu cachorro

Só que entoque ou crie asa

Cheguei no dia marcado, tinha gente até de farda

Nunca vi tanto gaúcho, nunca vi tanta espingarda

Diziam: o sorro é bruxo cruzado com onça parda

Eu disse: deixem comigo! Quem tem medo do perigo

Que espere na retaguarda

Quando batemos no rastro vi que o bicho era escolado

Fez que ia pra coxilha e respingou rumo ao banhado

Meteu o dente num galgo, depois cruzou no costado

Com a cuscada na escolta gambeteava e dava volta

Parecia enfeitiçado

Eu dei cancha pro galgo que saiu erguendo pó

Porque no fim do banhado era um capão de timbó

Tinha que alcançar o maleva antes deste cafundó

E eu também larguei com tudo num lobuno topetudo

Que era marca da Itaó

De fato o sorro corria como pouco sorro faz

Mas peão só se governa onde não tem capataz

Em seguida meu cachorro fez ele virar pra trás

E desceram sanga abaixo, "cosa" de macho com macho

Trançando dente no más

Foi quando eu ouvi um tiro vindo de lá do sangão

Estouro de arma de chumbo de um louco sem precaução

Apeei por cima do toso pra dar fé da situação

Meu galgo tava sangrando mas continuava peleando

Baleado no coração

Agarrou o sorro "das goélas" e apertou contra o capim

Pra dar fim naquela lida antes da vida ter fim

Depois "periga" a verdade, mas juro que foi assim

Deitou por cima do sorro, gruniu pedindo socorro

E morreu olhando pra mim

Enterrei ele no campo florido de maria mol

Se foi meu galgo bragado do lombo que era um anzol

Lembro dele com tristeza quando sangra o pô-do-sol

O causo vem pra memória e a saudade conta a história

Do meu galgo Peñarol

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

QUANDO GIRA O MUNDO - FABIO JR

Tudo, tudo

Pode acontecer

Feche os olhos

Solte o seu prazer

Quando o sonho traz

A vida traz...

Tudo, tudo

Pode o amor ganhar

Passe o tempo

Passe o que passar

A noite vem

O dia vai...

Quando gira o mundo

E alguém chega ao fundo

De um ser humano

Há uma estrêla solta

Pelo céu da bôca

Se alguém diz

Te amo!

E uma esperança

Desce junto

Com a madrugada

Como o sol surgindo

Cada vez mais lindo

Pela nossa estrada...(2x)

Esqueça então

O "não" e o "talvez"

Diga: "sim"

Esta é a sua vez

É o seu amor

Que vai chegar...

Quando gira o mundo

E alguém chega ao fundo

De um ser humano

Há uma estrêla solta

Pelo céu da bôca

Se alguém diz

Te amo!

E uma esperança

Desce junto

Com a madrugada

Como o sol surgindo

Cada vez mais lindo

Pela nossa estrada..

sábado, 17 de setembro de 2011

A QUEM POSSA INTERESSAR ( NON DUCOR DUCO ) KAMAU

Essa é pra você que acorda cedo sem medo, sem receio

de reclamação de patrão, de busão cheio

sei que não é o trampo que ce sempre quis

mas ter o seu, sem pedir, já te faz feliz

então vai reclamar de quê? pra quê? pra quem?

não tem tudo que ama, mas ama tudo que tem

sabem bem o valor, o calor do suor

não esbanja mas quando pode tem do melhor

e o pior, é o olho de linguarudo

que fala como se tudo viesse de mão beijada

mas deixe estar que esses a vida ensina

segue sua rotina, já que não deve nada pra ninguém

que Deus ajude quem corre atrás

não quem fala que faz, quem faz acontecer

faz por merecer a saúde e o lazer

mó prazer em fazer esse som pra você, então

essa é pra você, que faz

por merecer, você

que corre atrás, que faz

sem se perder, você

que faz valer a intenção da canção

pra você, pra você, pra você...

Essa é pra você que escutava, prestava atenção

em casa sempre estudava, sempre entregava a lição

seu pai achava que não era mais que a obrigação

mas sua mãe tinha orgulho de ter um filho tão esperto

dia de prova todo mundo queria tá perto

pedindo cola, vagabundo dizia "tá certo"

foi assim do primário ao vestibular

com bolsa de 100% em cursinho particular

passou no curso que queria na primeira lista

mas viu que era mais difícil do que parecia

desbravou o território que desconhecia

diploma na mão e o aprendiz virou especialista

no estágio já mostrava competência

foi efetivado de cara, sem concorrência

quem te zuava e chamava de cdf

agora é seu camarada mas te chama de chefe

essa é pra você, que faz

por merecer, você

que corre atrás, que faz

sem se perder, você

que faz valer a intenção da canção

pra você, pra você, pra você...

Essa daqui é pra você, "quem, eu?", é você

que toda vez que me via, me perguntava "cadê?"

sempre queria saber "ce tá trampando no quê?"

"quando tem show pra nóis vê?" "onde é que eu compro o cd?"

é isso que me diz que eu tô no caminho

não to perdendo meu tempo, não tô falando sozinho

se alguém reage, escuta e se identifica

canta junto, decora ou até critica

faz parte, e eu te entendo perfeitamente

infelizmente são poucos igual a gente por aí

desculpa aí se eu demorei, só sei que me esforcei

e até fui exigente demais mas se valeu a pena esperar

não sei qual será, só o tempo dirá

se esse som vai ficar na mente, no coração

bem guardado, vivo, sempre, na coleção

Essa é pra você, que faz

por merecer, você

que corre atrás, que faz

sem se perder, você

  1. que faz valer a intenção da canção

domingo, 11 de setembro de 2011

QUA DO A ALMA ROE A SOGA (6ª Carreteada da Canção e Poesia Nativa)
Autor: Jorge Luiz da Rosa Chaves
Declamador: Cristiano Ferreira
Amadrinhador: Claudio Silveira

Amargueando à beira-chão,
Com minhas mãos irmanadas
Neste porongo que encilho...
Eu me desprendo andarilho,
Rastreando perto o distante.
Arrebento a soga crua
Presa no esteio do rancho...
Brinca na fresta da porta,
O frio espia nas frestas,
Gelado, rouba semblantes.
Nestas densas madrugadas
Uma sutil claridade
Se achega, bem “despacito”
Pra me fazer um costado.
O arrebol é acariciado
Com os brandos fachos do sol...
Que esfrega os olhos nos montes
Pra mil cores no horizonte.
Já gastei “duas de erva”;
Ronca o gato... “borralheiro”,
Do meu pé faz travesseiro
No calor que nos conserva.
Desfila “ao tranquito” a aurora
Com o dia “de-a-cabresto”,
Rumo às aguadas, bem macho!
Já ouço o cusco em retouço...
De molecagem com o guaxo.
O galo desafiador
Bate asas, afia esporas...
Pára rodeio “cedito”
Com ares de capataz.
Há berros, cantos, acordes,
Dois socós batendo bico,
Um casal de maçaricos...
Sinfonia em profusão.
É hora de “empeçar” lidas...
As mansas consolam as crias,
Vêm bois de canga... meu flete,
Lambeando os cochos, o brete...
Me campeiam no galpão.
Saio marcando o sereno,
Olho ao meu redor... inteiro...
Cismas de velho campeiro!
Repenso a terra intrigado,
Vendo as fronteiras nas curtas...
- Meu mundo... é lindo e pequeno
Pr’um trote largo de antanho.
Eis que... bombeio pra riba
E ao ver a quincha do pago...
Nosso mundo não tem fim?!
Já não me sinto matreiro
Ao respeitar seu tamanho.
Mas se Deus dá tudo ao homem...
O céu também é pra mim!
Nossos limites carnais,
Com ajoujo a privilégios,
De ciência... dom... e colégios
Não surpreendem essas lonjuras.
Somos meras criaturas
Girando na gravidade,
Em rotação “translatente”...
Frente a abstratos eternos...
Tantas léguas de anos-luz!...
Sete chaves escondidas
Além de estrelas libertas
Por galáxias tingidas.
Exuberante cenário
Pra “montar no imaginário”
Grandioso das descobertas.
Nos mistérios das alturas,
Calabouços abismais...
Onde estão ponto cardeais?!
Talvez... com um fiador dos anjos,
Galopando em campo aberto...
Almas alinham, por certo,
De queixo doce... na Luz,
Pr’uma Estância... um Paraíso?!... Não devemos relegar
A sábia voz dos milênios:
Credos, fatos... religiões;
Nem burlar evocações
Ao “derradeiro juízo”.
Vida!... Sopro admirável
Do velho pai... Criador,
Doutrina sem raça ou cor!
Sem crivo e terno pecado...
Junto foi crucificado.
Trevas ou Luz?... Dois caminhos
E a idolatria do amor.
Porém, numa arrogância egoísta
Rasgam sagradas partilhas,
Homens se apartam em ilhas...
Ou sanguinárias matilhas
Com seus cavalos-de-fogo,
Sem dó, respeito... ou pudor.
Na fé pura viajo longe...
E as botas voltam no rastro
Beijando o chão que nasci.
Bem gaúcho! Eu decidi
Frente a longínquas querências,
Cumpro hoje as penitências!...
...A esperar minha vez...
Na serena paz das brisas,
Quero encilhar... por aqui!...