quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Aprendi a escrever lendo, da mesma forma que se aprende a falar ouvindo. Naturalmente, quase sem querer, numa espécie de método subliminar. Em meus tempos de criança, era aquela encantação.

Mário Quintana

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Lendas do Ouro


O ouro inspirou muitas lendas, e a maioria delas envolve a busca por algum tesouro perdido. Uma das lendas mais antigas é o mito grego do rei Midas. Quando o deus Dionisio lhe concedeu um único pedido, o rei Midas pediu que tudo que ele tocasse se transformasse em ouro. O desejo lhe foi concedido e ele, no início, ficou muito feliz. No entanto, a lenda é uma advertência contra os prazeres efêmeros proporcionados pelas coisas materiais: o rei Midas descobriu que não conseguia mais comer porque os alimentos se transformavam em ouro, ao tocar a filha, ela também transformou-se em ouro.
Um antigo conto popular alemão, A Canção dos Nibelungos, fala de uma raça de anões que rouba o ouro das sereias do Reno. Um dos anões fabrica um anel de ouro que lhe confere o poder de dominar o mundo. A história serviu de inspiração a Richard Wagner para compor o ciclo de óperas O Anel dos Nibelungos.
No século XVI, aventureiros espanhóis se dirigiram à América em busca do “El Dorado” (o homem de ouro), um rico rei nativo. Eles acreditavam que o rei cobria a pele com ouro em pó todos os dias e banhava-se em um lago, que acredita-se ser o lago Guatavita, na Colômbia. A história pode ter surgido porque o ouro era encontrado em abundância na América do Sul e porque os nativos já o explorava há muito tempo.

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sábado, 9 de setembro de 2017

“ DEUS NÃO É O DEUS DOS MORTOS, MAS O DEUS DOS VIVOS” ( Mt 22,52 )


Os que morrem desaparecem aos olhos. Não desaparecem, contudo, aos olhos de Deus: Ele conhece suas moradas e conhece a sua sorte, Ele que os “ amou até o fim.” Nós porém, poderemos reunir-nos a eles, comunicar-nos com eles?
Ocuparam alguns lugar tão grande em nossa vida; foram a luz de nossos olhos a causa de nossa alegria, a alma de nossa alma; e tudo isso teria acabado para sempre?
Como poderia acabar, se o homem é mais espirito do que carne e se realmente compartilhamos do que havia neles de mais intimo e espiritual? Mas como encontrá-los e por que meio atingi-los, a não ser nos recolhendo em nós mesmos, e no ais profundo de nosso ser?
Se verdadeiramente eles adormecem no Cristo, como nos é permitido esperar foi certamente para escaparem a todos as necessidades materiais, a todas as vicissitudes da exterioridade: só há, pois um meio realmente eficaz de nos reunirmos a eles, é o de nos estabelecermos também no plano de interioridade aonde chegaram, esforçando-nos por viver de sua vida.
E já que esta vida está mergulhada na intimidade de Deus, que é ao mesmo tempo para eles morada, alimento e sono, como diz a oração da Missa, será então nos identificando também mais completamente a Deus, mergulhando mais profundamente em sua vida, que estaremos unidos a vida deles, e que as relações interrompidas no plano visível continuarão mais vivas, na comunhão silenciosa das almas.
Com efeito, é interiormente que se pode procurar, se não quisermos perder-nos num além constituído pelas sombras do mundo visível, imaginando com os nossos queridos mortos relações que procurariam mantê-los no plano exterior do qual, desde esta terra, o progresso de nossa vida espiritual pede a liberação sempre mais perfeita.
Se nossos mortos estão livres das vicissitudes do mundo sensível, se nasceram paras a vida do Espirito, se estão em Deus, não podemos imaginar entre eles e nos laços mais belos do que a comunhão cada vez mais estreita de uma vida interior da qual Deus é o centro, a fonte e o dom.
É por esse meio que o nosso amor pode, não somente salvaguardar sua realidade profunda, mas ainda atingir todo seu poder de ação, pois, de certo modo, podemos dar a Deus a eles se estão percorrendo ainda as etapas purificadoras que constituem o misterioso purgatório ou aumentar de algum modo sua alegria de possui-lo se já atingiram a bem-aventurança e isso pela intensidade de nosso amor a Deus.
Uma vida sempre digna de Deus não é o meio mais seguro de unir-nos sempre a eles?
Não há dúvida de que, por sua parte, nossos mortos nada deixaram daquilo que merecia viver eternamente em sua ternura por nós. Podemos portanto, admitir que seu desejo de união conosco é ainda maior do que o nosso próprio desejo, visto estarem eles em Deus, a própria origem do Amor.
E nós, também estamos estamos em Deus embora não com a mesma plenitude, a Deus está em nós. Ora, não é Deus o céu das almas fiéis? O céu pois, está em nós, na medida em que Deus aí está.
Não podemos por conseguinte, concluir que nossa alma é o santuário das almas santas, assim como é o templo de Deus? Não temos razão de pensar que as trazemos de algum modo em nós e que elas estão incomparavelmente mais perto de nossa alma do que, do coração de sua mãe, a criancinha de quem ela é misterioso tabernáculo?
Nenhum consolo maior do que essa união ativa e santificadora com os nossos queridos, numa intimidade que cresce sem cessar na proporção de nossa união com Deus. Deus não os arrebatou de nós; ocultou-os em seu coração para que estivessem mais perto do nosso.



( Maurice Zundel, Le poème, de la sainte liturgie. Paris, DDB, 1946, pag. 277 – 282 )