sábado, 24 de setembro de 2011

TÚNEL DO TEMPO


Aonde ir?

Talvez por aí

Seguir o rumo sem vento

Talvez entrar no túnel do tempo

Onde os meus olhos ainda não tinham tristezas

E meu rosto sujo de poeira

Era tocado pela sombra da mangueira

Bem perto da rua e de frente para as palmeiras

Talvez entrar no túnel do tempo

Lá onde minha escola ficava, depois da bomba

Perto do antigo mosteiro

E a melhor hora era a hora do recreio

Ou a aula vaga da professora que não veio

Talvez no tempo do pique bandeira

No tempo que olhar nos olhos

E pegar na mão

Da menina tímida que sorria

Era tudo que se podia

Talvez naquela noite de chuva

Lá no canto do pensamento

Onde ficava deitado ouvindo a música de amor

No pequeno rádio de pilha que ficava

Junto ao ouvido, em cima do travesseiro

Olhando a chuva na janela

Sonhando com um amor verdadeiro

Um amor que pudesse amar sem receio

Não apenas um sentimento passageiro

Talvez caminhar pela cidade

Sentindo os pingos da chuva

Que atravessaram o tempo

E lembrar-se do rosto sujo

Dos olhos cheios de vida e sem tristeza

Dos sorrisos que ficaram na sombra da mangueira

De frente para as palmeiras

Pela vida inteira


ARNOLDO PIMENTEL

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