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domingo, 11 de setembro de 2011

QUA DO A ALMA ROE A SOGA (6ª Carreteada da Canção e Poesia Nativa)
Autor: Jorge Luiz da Rosa Chaves
Declamador: Cristiano Ferreira
Amadrinhador: Claudio Silveira

Amargueando à beira-chão,
Com minhas mãos irmanadas
Neste porongo que encilho...
Eu me desprendo andarilho,
Rastreando perto o distante.
Arrebento a soga crua
Presa no esteio do rancho...
Brinca na fresta da porta,
O frio espia nas frestas,
Gelado, rouba semblantes.
Nestas densas madrugadas
Uma sutil claridade
Se achega, bem “despacito”
Pra me fazer um costado.
O arrebol é acariciado
Com os brandos fachos do sol...
Que esfrega os olhos nos montes
Pra mil cores no horizonte.
Já gastei “duas de erva”;
Ronca o gato... “borralheiro”,
Do meu pé faz travesseiro
No calor que nos conserva.
Desfila “ao tranquito” a aurora
Com o dia “de-a-cabresto”,
Rumo às aguadas, bem macho!
Já ouço o cusco em retouço...
De molecagem com o guaxo.
O galo desafiador
Bate asas, afia esporas...
Pára rodeio “cedito”
Com ares de capataz.
Há berros, cantos, acordes,
Dois socós batendo bico,
Um casal de maçaricos...
Sinfonia em profusão.
É hora de “empeçar” lidas...
As mansas consolam as crias,
Vêm bois de canga... meu flete,
Lambeando os cochos, o brete...
Me campeiam no galpão.
Saio marcando o sereno,
Olho ao meu redor... inteiro...
Cismas de velho campeiro!
Repenso a terra intrigado,
Vendo as fronteiras nas curtas...
- Meu mundo... é lindo e pequeno
Pr’um trote largo de antanho.
Eis que... bombeio pra riba
E ao ver a quincha do pago...
Nosso mundo não tem fim?!
Já não me sinto matreiro
Ao respeitar seu tamanho.
Mas se Deus dá tudo ao homem...
O céu também é pra mim!
Nossos limites carnais,
Com ajoujo a privilégios,
De ciência... dom... e colégios
Não surpreendem essas lonjuras.
Somos meras criaturas
Girando na gravidade,
Em rotação “translatente”...
Frente a abstratos eternos...
Tantas léguas de anos-luz!...
Sete chaves escondidas
Além de estrelas libertas
Por galáxias tingidas.
Exuberante cenário
Pra “montar no imaginário”
Grandioso das descobertas.
Nos mistérios das alturas,
Calabouços abismais...
Onde estão ponto cardeais?!
Talvez... com um fiador dos anjos,
Galopando em campo aberto...
Almas alinham, por certo,
De queixo doce... na Luz,
Pr’uma Estância... um Paraíso?!... Não devemos relegar
A sábia voz dos milênios:
Credos, fatos... religiões;
Nem burlar evocações
Ao “derradeiro juízo”.
Vida!... Sopro admirável
Do velho pai... Criador,
Doutrina sem raça ou cor!
Sem crivo e terno pecado...
Junto foi crucificado.
Trevas ou Luz?... Dois caminhos
E a idolatria do amor.
Porém, numa arrogância egoísta
Rasgam sagradas partilhas,
Homens se apartam em ilhas...
Ou sanguinárias matilhas
Com seus cavalos-de-fogo,
Sem dó, respeito... ou pudor.
Na fé pura viajo longe...
E as botas voltam no rastro
Beijando o chão que nasci.
Bem gaúcho! Eu decidi
Frente a longínquas querências,
Cumpro hoje as penitências!...
...A esperar minha vez...
Na serena paz das brisas,
Quero encilhar... por aqui!...

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