A cidade adormecida no coração do poeta, entre pregões matinais, subitamente desperta. Por trás da Serra Vermelha, nasce a manhã, nas levadas, na solidão das salinas, nas águas envenenadas. Maçaricos alçam vôo, nas várzeas de pirrixiu. Pescadores solitários Pescam o silêncio do rio. Num bosque de mata-pasto, Atrás de Amaro Besouro, Desabrocha o fumo-bom, Em finos cálices de ouro. Calafates calafetam velhos barcos irreais. Moinhos movem os ventos nas tardes do nunca mais. O sol se pondo na barra, entre mangues e canoas, põe rebrilhos de vidrilhos nas marolas das gamboas. A noite cai. Cães vadios ladram na rua, à distância. Deslizam sombras esquivas nas esquinas da lembrança. Todos os que se mudaram para o outro lado da vida e dormem, no cemitério da cidade adormecida. Vêm a mim, me cumprimentam, me comovo ao recebê-los. Baila uma fina poeira, em torno de seus cabelos. Converso com Pum-na-Guerra, Fumo-bom e Baranhaca. Abraço Maria-mole, Ciço Cabelo-de-vaca. Passo no Canal do...