Sempre respirou arte, As letras, não aprendeu. Desde cedo, no entanto, em meio a sua labuta, Não faltou-lhe entusiasmo, nem espaço para sonhar. A pobre menina descalça, subia morro, descia morro, E de tanto olhar as flores, sentiu vontade de criar. Com vários papéis crepon, uma tesoura afiada, Vela derretida e linha de tecer, Sua arte transportada bem de dentro do seu ser, Resplandece em suas mãos, E em poucos minutos, um arranjo de flores pode se ver. O tempo passou depressa e veio a adolescência, Casou-se ainda novinha. Gerou 3 meninos e 3 menininhas. A arte sempre presente, a poesia latente, ninava suas crianças, Cantando, entoando e dançando, sucessos da sua mente. Fez crochet, costurou, cantou, mas não pôde ser famosa, Seu pai não a permitira, seu marido, nem pensar. Teve um tempo que tentara, poemas e versos formar Mas não sabia das letras, não teve como anotar. Os filhos foram crescendo, todos cheios de talentos, Quase todos replicaram o dom da arte de bem, Depois dos ...