Pular para o conteúdo principal

ATOS DE POESIA


Desfaça em mim o gosto que eu não gosto
Me ajude a acreditar no que eu aposto
Habite onde cresce o meu vazio
Me aponte o limiar que eu distancio
Definhe o que me dói e eu não ligo
Me ensine a escapar do meu perigo
Acenda nos meus olhos o que eu cego
Conduza às minhas mãos o que eu renego
Devolva o que eu mais creio e não edifico
Me ensine o que eu mais sei e não pratico
Arraste até o abismo os meus tormentos
Retire lá de dentro os meus alentos
Sublinhe a compreensão nos meus escritos
Ressoe a suavidade nos meus ditos
Preencha o meu viver de compaixão
Me livre de matar minha redenção
Desarme as armadilhas que eu mantenho
Preserve o bem querer que eu ainda tenho
Não deixe que eu esqueça o que lhe peço
Me aceite como eu sou e me confesso

(Yrto Mourão/Atos de Poesia)

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Poema Anjos de uma asa só

Um lenda,um acalento. . .  Não sei se é verdade. . . e não me importo com isso.  Não precisa ser. . . .  Foi há muito tempo atrás. . . depois do mundo ser criado e da vida completá-lo.  Num dia, numa tarde de céu azul e calor ameno. Um encontro entre Deus e um  de seus incontáveis anjos. Acredita?  Deus estava sentado, calado. Sob a sombra de um pé de jabuticaba. Lentamente  sem pecado, Deus erguia suas mãos então colhia uma ou outra fruta. Saboreava  sua criação negra e adocicada.Fechava os olhos e pensava. Permitia-se um  sorriso piedoso.Mantinha seu olhar complacente. Foi então que das nuvens um  de seus muitos arcanjos desceu e veio em sua direção.  Já ouviu a voz de um anjo?  É como o canto de mil baleias.  É como o pranto de todas as crianças do mundo.  É como o sussurro da brisa.  Ele tinha asas lindas. . . brancas, imaculadas. Ajoelhou-se aos pés de Deus e  falou:  ? Senhor. . . visite...